Transformações e perspectivas dos agronegócios brasileiros
Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
O artigo faz uma análise das transformações e das perspectivas para o agronegócio do Brasil. O uso da agricultura como fonte de energia, o crescimento de economias emergentes estão transformando a dinâmica do setor agrícola.
O autor aborda a história recente do agronegócio levando em conta principalmente as estratégias tomadas pelas corporações a partir dos anos 80 e contextualiza um cenário futuro para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
A emergência de economias como a da China, somadas a tardia industrialização e outras características brasileiras fizeram do Brasil um grande exportador de matéria-prima. O cenário de insuficiência energética contribui para a produção de energia a partir da agricultura, em 2008 os EUA aumentaram a produção de etanol de milho em 80% o naturalmente pressionou o preço das commodities.
Enquanto os países desenvolvidos aumentam sua demanda por energia, os países emergentes aumentam o consumo de alimentos, principalmente proteína animal. Assim Existe uma perspectiva que a china, por exemplo aumente em 80% sua importação de soja, o Brasil tem potencial para suprir grande parte dessa demanda. Porém, ainda é preciso contornar problemas como volatilidades, causadas por secas, é preciso investimento em infraestrutura, estradas, silos, para melhorar a eficiência e a segurança do sistema produtivo brasileiro.
Por outro lado a emergência de outras economias abre portas para o mercado brasileiro e possibilita em muitos casos a agregação de valor, o que é muito importante para o amadurecimento da economia brasileira. Sabe-se que grandes empresas internacionais monopolizam os mercados internacionais de commodities. O Brasil precisa manter as negociações de matéria-prima e ao mesmo tempo precisa potencializar a agregação de valor. O desafio está em como fazer isso.
A agregação de valor pode se utilizar da potencialização do mercado interno brasileiro, nesse sentido o aumento do poder aquisitivo das classes C e D no Brasil representam a nova fronteia de expansão do consumo. O Brasil ainda possuí uma grande diversificação em sua produção interna o que configura uma vantagem competitiva, a articulação e sinergia entre os setores produtivos nacionais podem criar grandes vantagens competitivas do setor produtivo interno, sendo ainda necessário levar em conta segmentações de mercado ou nichos específicos.
Um exemplo de nicho de mercado específico surge a partir do desenvolvimento dos transgênicos. Devido a diferentes convicções sobre a produção transgênica surge a contrapartida da produção orgânica e mantém-se em alguns casos a produção tradicional. Portanto passam a existir três modos de produção e surgem demandas específicas como a demanda por produtos orgânicos.
Para que o Brasil possa articular os diferentes setores produtivos é necessário o investimento em desenvolvimento e pesquisa, pois mesmo no mercado de commodities a competitividade não se restringe a vantagens comparativas, mas envolve também decisões estratégicas e liderança. A diversificação da produção parece ter grande importância para a economia do país e deve ser enaltecida, o Brasil precisa manter a sua promoção de novos segmentos – fruticultura, orgânicos, aqüicultura, cachaça, vinhos espumantes, isso significa não apenas maior segurança econômica, mas também segurança alimentar para o país.
A leitura dessa obra possibilita compreender o papel do Brasil no mercado de alimentos mundial. O autor enfatiza quais são as perspectivas para o futuro dos agronegócios no país. O investimento na diversificação e articulação dos diferentes setores produtivos é imprescindível para a agregação de valor a produção brasileira.
O autor John Wilkinson é Professor Associado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Pesquisa nas áreas de Sociologia Econômica, atua nos temas: sistema agroalimentar, novos mercados de qualidade, consumo e mercados e movimentos sociais.
Diego Durante Mühl, acadêmico do Mestrado em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
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