Conceitos Gerais, Evolução e Apresentação do Sistema Agroindustrial
Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
O artigo apresenta o conceito e a evolução dos sistemas agroindustriais – SAG, faz uma delimitação do que são os SAGs e, por fim, discute a epistemologia ou a “teoria do conhecimento” e no agronegócio, metodologias para análise e estudo dos SAGs.
Davis e Goldberg (1957) e Goldberg (1968) iniciaram os estudos das relações entre cadeias industrias de insumos, produção agropecuária, indústria de alimentos e sistema de distribuição alimentício nos Estados Unidos. Na França na década de 60 também surgiram estudos aplicados as organizações agroindustriais.
Nos Estados Unidos o processo de industrialização levou a uma integração intersetorial do agronegócio. Os agricultores passam a adquirir insumos industrializados para produzir e adicionalmente atividades de armazenagem e distribuição passam a ser muito complexas para serem conduzidas integralmente pelos agricultores. A base teórica desse fenômeno é representada pela matriz insumo produto. O agronegócio é explicado pela análise do fluxo de bens e serviços como produto de forças complexas que atuam mais ou menos espontaneamente. Assim o mecanismo de preços ou de mercado são muito fortes na visão de Goldberg.
Por outro lado o conceito Frances de Filière ou cadeia está mais focado na sequência de operações que conduz a produção de bens, tem sua origem em autores marxistas, retrofletindo preocupação distributiva ou sistêmica. Portanto, a literatura francesa está mais voltada para ações governamentais.
Os dois conceitos convergem ao enfatizarem a importância das relações intersetoriais. Mas, o sistema tradicional de cadeias considera três subsistemas: De produção, de transferência e de consumo. Já o sistema de commodities tende a enfocar nas forças de mercado.
OS SAGs mudam ao longo do tempo de acordo com as relações entre os diferentes agentes que compõe o sistema. O consumidor, é considerado o ponto focal para onde convergem os fluxos de produtos; O varejo, que faz a distribuição de produtos em grandes centros; O atacado, são plataformas centrais que concentram fisicamente os produtos e permitem que o varejo se abasteça. A agroindústria, são agentes que atuam na fase de transformação do alimento; Produção primária, são agentes que geram a matéria-prima para a indústria.
Os SAGs podem ser vistos como um fluxo amparado pelo sistema institucional e organizacional. O primeiro sistema é as leis tradições e costumes de uma sociedade e o segundo são as organizações que possibilitam seu funcionamento como empresas, universidades, cooperativas.
Portanto, o processo capitalista de industrialização levou a racionalização das atividades e divisão do trabalho, na agricultura esse processo não é diferente, com ressalva de particularidades. A conceitualização do agronegócio nos Estados Unidos levou em consideração a fundamentação neoliberal da sociedade norte americana, enfatizando aspectos mercadológicos. Já na França a conceitualização do Filière ou das cadeias de alimentos sofre alguma influencia de pensadores marxistas. Mas, as duas abordagens enfatizam a integração intersetorial do agronegócio. As organizações do agronegócio se desenvolvem para atender as necessidades do consumidor e as empresas tendem a se adaptar ao ambiente institucional.
A leitura dessa obra é muito rica pois apresenta o surgimento desenvolvimento e articulação dos SAGs. É de especial prestigio saber que duas escolas de pensamentos bastante distintas acabam convergindo para a elaboração de conceitos que são, em certa medida, similares.
O autor Decio Zylbersztajn é Professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – USP. Atua na área de Economia das Organizações com ênfase no estudo das relações agroindustriais, agronegócios, e agricultura.
Diego Durante Mühl, acadêmico do Mestrado em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
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