O que é conhecer?
Pontifícia universidade católica do Rio Grande do Sul.
Faculdade de filosofia e
ciências humanas.
Disciplina:
Introdução à filosofia.
Professor: Pergentino Stefano
Pivatto.
Acadêmico: Diego Durante Mühl.
O que é conhecer?
Conhecer é assimilar, reter em si
a forma, a maneira de algo. Conhecer é o ato pelo o qual o sujeito percebe “se
da conta de” alguma coisa (objeto). Conhecer é projetar, elaborar um modelo de
realidade a partir de uma experiência, criar uma imagem mental a respeito de
algo.
O sujeito conhece objetos
externos através de seus sentidos - conhecimento sensorial externo. Conhecemos
um objeto físico quando de fato temos contato com o mesmo. O contato acontece
através dos nossos sentidos (somos capazes de ver quando entram em contato com
a nossa retina raios de luz que refletem alguma imagem, quando ouvimos algum
som é devido às ondas sonoras que emitem vibrações ao nosso tímpano). Mas
apenas ter certa sensibilidade a os fatores externos não é suficiente para que
possamos conhecer algo. Existe um fator que interpreta a sensibilidade
perceptível aos sentidos, isso acontece como virtualização do aspecto físico
captado pela sensibilidade dos sentidos, é ai que criamos a imagem do objeto.
O sujeito
não conhece apenas objetos externos, alem dos sentidos externos existem os
sentidos internos-conhecimento sensorial interno. Os sentidos internos por si
não produzem somente meras representações, mas tem fundamental importância para
a formação da imagem do objeto. A escolástica clássica de Aristóteles distingue
cerca de quatro ou cinco sentidos internos (a ciência atual reconhece cerca de
trinta): o sentido comum (sensus communis),
a fantasia, a memória, a estimativa (vis
a aestimativa) e a força configuradora (vis cogitativa). O sentido comum
reúne os as impressões dos sentidos externos em um espaço intuitivo único. A
fantasia e a memória estruturam a reapresentação do que é dado sensorialmente.
A estimativa relaciona o dado como útil ou nocivo para a vida. E por fim a
força configuradora é aquela que cria a imagem sensível do objeto (cria o
conceito), desta forma temos o ponto de partida para o conhecimento.
Após termos memorizado a maneira do objeto
somos capazes de dispor destes dados (desta experiência) para aplicar em outras
ocasiões, por exemplo, a criança não é capaz de se alimentar sozinha com
talheres, mas com o decorrer do tempo e com o seu amadurecimento ela passa a
usar talheres naturalmente. De alguma forma a experiência passa a ser dominada
de tal maneira que se torna um fator mecânico. Após adquirir alguma experiência
é possível que o individuo passe a executar uma nova ação que perdure durante
toda a sua vida(por exemplo usar talheres para se alimentar),isto acontece
porque aos poucos o conhecimento forma a faculdade cognoscitiva do individuo.
A atividade de conhecer não se
isola apenas a captação e memorização de dados, também esta incluído no
conhecer a atividade reflexiva ou raciocínio (conhecer filosófico). Nesta
categoria o conhecimento se da através da reflexão racional, caracterizando-se por valer-se de uma metodologia
experimental onde os objetos de analise são ideias.
Além de viver a experiência individualmente e
tirar proveito dela, ainda podemos transmitir esta experiência a outros
indivíduos através de um sistema de códigos (linguagem, escrita, etc.) ou
símbolos com significados convencionados. Sendo assim o conhecimento não se dá
somente na relação direta entre objeto e individuo, mas pode também acontecer
na relação de um individuo com outro, ou ainda, através de algum meio de comunicação
que dispensa o contato direto entre aquele que transmite e aquele que recebe a
informação.
O domínio da linguagem é um
conhecer que proporciona o conhecimento, somos capazes de criar uma imagem sem
ter uma experiência direta, basta o relato de um fato que já conseguimos
imaginar como tal se sucedeu, isto deve se aos sentidos internos, nesta
perspectiva podemos partir da experiência do outro não sendo necessário iniciar
uma nova experiência do ponto zero (não é necessário reinventar o primeiro automóvel,
basta usar o mesmo modelo e desenvolver novas maquinas cada vez mais
sofisticadas).
Com o domínio da linguagem e com
possibilidade de sofrer experiências (devido a nossos sentidos) somos capazes
de criar a imagem do objeto, quando formado o conceito da imagem temos a
capacidade de duvidar da própria, justamente quando duvidamos novamente do que
já está consumado é que criamos a oportunidade para a nova experiência.
Somos apenas criaturas insignificantes
perdidas na imensidão do universo, mas que devido ao acaso ou a casualidade
temos o dom de conhecer, o fato é que não sabemos o porquê deste dom, e é isto
que cria a sede pelo conhecimento.
Bibliografia: Uma breve
introdução à filosofia. Thomas Nagel
Brugger
dicionário de filosofia. Walter Brugger.
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