Desigualdade Social ou Desigualdade de Conhecimento?
Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
As organizações são uma expressão estruturada do pensamento racional (CARVALHO; VIEIRA, 2003). A economia institucional ou economia das organizações coloca o processo econômico no marco de uma construção social, manipulada pelas forças históricas e culturais é uma das características fundamentais desta orientação econômica.
Partindo da premissa de que as instituições são uma construção social e de que o mercado pode ser abordados como redes sociais (WILKINSON, 2002) pode ser levantada a seguinte questão: O que estrutura as instituições? O que é preciso para que se criem instituições capazes de estabelecer redes entre si?
Antes disso ainda pode se fazer outra questão! Ora, porque que queremos instituições? Bem, o Estado é uma instituição. Voltando a um clássico podemos compreender porque essa instituição é necessária.
"A única forma de constituir um poder comum, capaz de defender a comunidade das invasões dos estrangeiros e das injúrias dos próprios comuneiros, garantindo-lhes assim uma segurança suficiente para que, mediante seu próprio trabalho e graças aos frutos da terra, possam alimentar-se e viver satisfeitos, é conferir toda a força e poder a um homem, ou a uma assembleia de homens, que possa reduzir suas diversas vontades, por pluralidade de votos, a uma só vontade. (...) Esta é a geração daquele enorme Leviatã, ou antes - com toda reverência - daquele deus mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e defesa"(HOBBES, 2019).
Obviamente sem instituições estaríamos a margem de um comportamento minimamente ordenado. Em outras palavras, estaríamos em um estado de natureza onde o mais forte sobrevive, ou ainda segundo Hobbes guerra de todos contra todos.
E as injustiças como a fome ou desigualdade social? Porque existem? Há sim! O poder fragmentou-se em micropoderes (FOUCAULT, 1979). Por conta da iniciativa privada não temos mais um príncipe, mas vários príncipes de pequenos impérios. Falando em príncipe sabemos que o príncipe vai sempre buscar obter ou manter seu poder de principado (MAQUIAVELO, 1971), na iniciativa privada a propriedade privada é o principado.
Quase caímos de volta no estado natural do homem? Guerra de todos contra todos? Acho que não, mas não tenho dúvida que na sociedade do conhecimento não temos mais uma desigualdade social, antes disso, temos desigualdade de conhecimento e consequências disso.
Sociedades ou comunidades desprovidas de conhecimento ficam indefessas aos "lobos" e incorrem no risco da miséria. Embora não estamos no estado de natureza do ser humano, também não abrimos mão de todo nosso poder a um soberano, preservamos relações de micropoder.
O conhecimento é a chave para a formação de instituições. São as instituições que validam o micropoder. Com conhecimento estabelecemos instituições e essas são como se fossem nosso principado.
CARVALHO, C. A.; VIEIRA, M. M. F. Contribuições da perspectiva institucional para a análise das organizações: possibilidades teóricas, empíricas e de aplicação. Organizações, cultura e desenvolvimento local: a agenda de pesquisa do Observatório da Realidade Organizacional. Recife: Editora UFPE, [s. l.], p. 23–40, 2003.
FOUCAULT, M. Microfísica do poder: organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, [s. l.], v. 4, 1979.
HOBBES, T. Leviatã: matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. [S. l.]: LeBooks Editora, 2019.
MAQUIAVELO, N. El príncipe. [S. l.]: Ediciones Ibéricas y LCL, 1971.
WILKINSON, J. Sociologia econômica, a teoria das convenções e o funcionamento dos mercados:" inputs" para analisar os micro e pequenos empreendimentos agroindustriais no Brasil. Ensaios FEE, [s. l.], v. 23, n. 2, p. 805–824, 2002.
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