O Sistema Agroalimentar Globalizado: Impérios Alimentares, Degradação Social e Ecologia

 Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)



O artigo retrata o processo de globalização do sistema agroalimentar, a criação das cadeias globais de alimentos, a dominação dos monopólios sobre os alimentos e sua consequente influencia nas culturas locais. Ganha destaque a concorrência desleal entre países do norte e do sul do globo terrestre e suas consequências na segurança alimentar.

A integração da agricultura a indústria vincula a alimentação a interesses econômicos. A partir dos anos 80 com a globalização começa a se criar uma cadeia de alimentos em escala mundial, caracterizada por um processo de monopolização e criação de um regime alimentar corporativo.

A criação de cadeias mundiais de alimentos é possível devido a uma expansão que acontece em nível social, de aculturação e mudança de hábitos alimentares, e ecológico, aumento de áreas destinadas a produção. O enfraquecimento do estado frente ao mercado permite que os monopólios adquiram terras em países pobres, assim as terras se tornam um ativo especulativo ao capital internacional e sofrem valorização.

Devido as altas dívidas públicas adquiridas por países pobres não há condições de investimento em incentivos a agricultura, nem mesmo em educação, infraestrutura ou desenvolvimento tecnológico. Setores estratégicos para o desenvolvimento da agricultura são privatizados e a reforma agrária fica impossibilitada. Assim a agricultura desses países tende a continuar muito dependente da tecnologia e insumos das grandes corporações do norte, que não têm o interesse ou obrigação de sanar graves problemas de ordem social. O resultado é um cenário de insegurança alimentar e desigualdade social.

O desenvolvimento tecnológico, ou racionalização dos processos produtivos, foi um vetor fundamental para a construção dos impérios alimentares e atualmente a inovação possibilita o aumento da produtividade, bem como, a diversificação de produtos e aumento do consumo. Ironicamente, o aumento de produtividade não é capaz de sanar a fome pois sua origem não está na falta de alimentos, mas na incapacidade do estado em coibir os efeitos colaterais do sistema capitalista, exercer sua função e promover justiça social.

O capital internacional que domina os impérios alimentares não tem responsabilidade com localidades concretas que participam da produção o que abre margem para destruição ecológica e aumento da pobreza. Por outro lado os consumidores desconhecem a origem dos alimentos que consomem.

A padronização da produção tem como efeito colateral a possibilidade de infecção generalizada da produção por pragas e por vezes necessidade de erradicação de toda uma cadeira produtiva, a exemplo das gripes suínas e aviárias.

A transformação, as embalagens, o transporte e a produção de alimentos em sistemas intensivos despendem grande gasto de energia, em alguns setores como o de produção de proteína animal há um alto custo e ineficiência do sistema. Portanto, é preciso repensar alguns aspectos dos sistemas produtivos levando em consideração não apenas o abastecimento e a possibilidade de lucro, mas também considerando aspectos sociais, ambientais e o gasto energético.

A leitura dessa obra possibilita compreender a dinâmica do mercado de alimentos mundial. O autor enfatiza efeitos colaterais do sistema, mas é preciso destacar que o atual sistema é funcional e supre em grande medida as necessidades da população por alimentos. Indubitavelmente, são necessárias medidas que atenuem os efeitos colaterais.

O autor Manuel Delgado Cabeza é economista membro do Departamento de Economia Aplicada da Universidade de Sevilla.

Diego Durante Mühl, acadêmico do Mestrado em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

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