Persona, pessoa e a mascara que usamos
Personalização
O
processo de personalização é um tema da Antropologia filosófica, parece que ser
pessoa é algo puramente da essência humana, só o ser humano é pessoa. “Somos
pessoas” não temos dúvida disso, mas como chegamos a tal “lugar”? Existe um processo
que forma pessoas?
O termo
pessoa deriva do latim persona, significa: mascara teatral, bem como o próprio
ator, a personagem e seu papel. Se tomarmos os escolásticos da idade média
veremos que pessoa é um individuo dotado de razão ou “substancia individual de natureza racional, existindo como um todo
indivisível”. Em termos jurídicos pessoa significa cidadão que possui uma
existência civil e direitos.
Poderíamos
descrever um suposto processo pelo qual o homem torna-se pessoa? Para o
personalismo de E. Mounier, a pessoa não é uma realidade definível e, portanto,
não pode ser aprendida pela ótica objetiva das ciências: A pessoa se apreende e
se conhece em seu ato, como movimento de personalização. A comunicação é sua experiência fundamental.
Parece que segundo E. Mounier o processo de personalização é uma constante, ou
seja, mesmo quando o ser humano é pessoa ainda continua se transformando
pessoa.
O
processo de personalização parece durar toda a vida do ser humano, sendo que
acontece enquanto o homem “usa a mascara”, ou seja, enquanto
busca outras realidades que aspira, movido por uma gama imensa e variada de
desejos e necessidades sensíveis, morais, racionais e espirituais que o
impulsionam na direção da sua plenitude.
Alguns
aspectos presentes no processo de personalização podem ser destacados, como por
exemplo: Aspectos psíquicos, autoestima, auto respeito; Aspectos sociais e
políticos, de onde derivam fenômenos como a linguagem, à escrita e a
transmissão de cultura e aspetos que dizem respeito a liberdade, esta que
possibilita capacidade de raciocínio, de julgamento, de discernimento e de
compreensão.
O
homem é livre e só por isso pode usar “a mascara” e ter um personagem, a qual
representa. A personalização permeia a vida humana e é um processo continuo que
afirma a dinamicidade do ser humano. Por que usar a mascara de pessoa? Para de
esta forma assumir um papel, este papel é roteiro, e roteiro indica o que fazer
e para onde ir, e quem vai a algum lugar tem um sentido. Isto prova que o ser
humano é capaz de no processo de personalização conferir sentido para sua
existência. A beleza do ser humano é expressa pela pequenez do homem que mesmo
pequeno consegue imaginar-se grande, com isso acredita que é grande e mesmo não
sendo e só por crer que é faz coisas “espetaculares”.
Texto produzido para a disciplina de Antropologia filosófica na faculdade de Filosofia da PUCRS
Diego Durante Mühl
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