Beleza, Música e Tempo - Trabalho para a disciplina de estética da PUCRS (2011)

 A Estética de Santo Agostinho

 

 

            De Ordine:

 A criação é rítmica, bela, reveladora de proporção e harmonia. Tudo é bem disposto até mesmo o que nos parece disforme. O que nos parece disforme sempre é parte de algo, algo que em sua unidade é belo.

 O gosto por aquilo que é belo é evidenciado por nós. As disciplinas liberais são um exemplo, onde buscamos abraçar a verdade, resultado desta busca o conhecimento, o novo modo de ver e entender a vida, a conquista da felicidade na compreensão da unidade.

“O belo e o suave nos cativam, na percepção da congruência das partes e na captação dos límpidos sons emitidos por instrumentos e canto, porque neles deciframos a presença da rasão.”

 

Beleza, Música e Tempo.

 

O belo se manifesta na criação de infinitas formas. Abordaremos a compreensão de tempo, segundo Agostinho, com a definição de música; Para assim destacarmos algumas formas de manifestação do belo.          

O tempo é apenas distensão. Existem três tempos o presente o presente dos fatos passados, o presente dos fatos presentes, o presente dos fatos futuros. Estão estes apenas na mente.

 A musica é ordenação adequada de sons e movimentos no tempo, dizia Agostinho: “Música é a ciência da boa modulação”.

Eis o trecho das Confissões, em que Agostinho une tempo e música, canção e vida:

“Se estou para recitar uma canção que conheço, antes de começar, já minha expectativa se estende a toda ela. Mas, assim que começo, tudo o que vou destacando e entregando ao passado vai se estendendo ao longo da memória. Assim, a minha atividade volta-se para a lembrança da parte já recitada e para a expectativa da parte ainda a recitar; a minha atenção, porém, está presente: por seu intermédio, o futuro torna-se passado.E quanto mais avança o ato tanto mais se abrevia a espera e se prolonga a lembrança, até que esta fica totalmente consumida, quando o ato, totalmente acabado, passa inteiramente para o domínio da memória. Ora, o que acontece com o cântico todo, sucede também para cada uma das partes e de suas sílabas; acontece também a um ato mais longo, do qual faz parte, por exemplo, o cântico, e em toda a vida do homem, da qual todas as ações humanas são partes. Isso mesmo sucede em toda a história dos filhos dos homens, da qual a vida de cada homem é apenas uma parte.

           

Ao querer recitar uma partícula da canção antecipa-a em sua totalidade. Assim, também cada vida é a antecipação da historia consumada na distensão.

 

 Diego Mühl

Daniel D'Agnoluzzo Zatti

 

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