Boécio, o inteligível - Resumo da Aula de Filosofia Medieval (Pucrs 2011)

 

Boécio, o inteligível.

II.        O conhecimento e o universal.

 

O inteligível

1.      Os universais na idade média.

 

Porfino (Tiro, c.232- Roma, c.304), escreve uma curta introdução, de carácter pedagógico, ao estudo das Categorias de Aristóteles.

Boécio, traduz a obra por Isagoge (em grego clássico εἰσαγωγή: Introdução)

Na Isagoge, Porfino, apresenta o problema metafisico das ideias contentando-se com a exposição do problema sem dar qualquer solução à questão dos universais*.

O inteligível

*Universais:

Platão e Aristóteles; Todo conhecimento tem uma parte sensível e outra intelectiva.

Conhecer. Sentidos-insuficientes. Os sentidos percebem, mas não fazem distinção.    

Para fazer a distinção temos conceitos (representação geral e abstrata de algo).

Por seu caráter geral e abstrato, os conceitos são considerados universais, ou seja, um termo que é comum a muitos singulares, sem designar a nenhum deles em particular, da mesma forma que podemos dizer que os indivíduos singulares Maria, João, José pertencem à humanidade (universal).

O inteligível

  No prólogo da Isagoge:

“Assim, pois, evitarei em falar sobre os gêneros e as espécies, acerca da questão de saber se são realidades subsistentes em si mesmas ou se consistem apenas em meros conceitos mentais, ou se são corpóreas ou incorpóreas, ou se são separadas ou se existem nas coisas sensíveis e delas dependem, uma vez que se refere a uma questão que exige um tratamento profundo e requer um exame maior”. ( Cf. PORFÍRIO. Isagoge. Introdução, tradução e notas de Juan José García Norro e Rogelio Rovira. Edição trilingue (grego, latim e espanhol). Barcelona: Anthropos Editorial, 2003, p. 2-3.)

 

 

O inteligível

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 Tais gêneros e espécies são realidades subsistentes em si ou simples concepções do nosso espírito?

Supondo-se que o universal tenha algum suporte na realidade, tal suporte é corpóreo ou incorpóreo?

Supondo que sejam incorpóreos, eles existem à parte das coisas sensíveis ou somente unidos a elas?

O inteligível

2.      A solução de Boécio:

A impossibilidade de ideias gerais serem substâncias.

                Os gêneros e as espécies são comuns por definição, e o que é comum a vários indivíduos não pode ser um indivíduo. Impossível ser matéria.

Mas, pode ocorrer de que nenhum objeto corresponda na realidade às ideias que temos deles.

Tais gêneros e espécies são realidades subsistentes em si ou simples concepções do nosso espírito?

 Ora, um pensamento sem objeto não é sequer um pensamento. Logo, é preciso que os universais sejam pensamentos de alguma coisa.

O inteligível

 

Então, os universais tem suporte na realidade, tal suporte é corpóreo ou incorpóreo?

                 O espírito extrai dos seres corpóreos o que eles têm de incorpóreo, como os gêneros e as espécies.

O que é incorpóreo está à parte das coisas sensíveis ou somente unido a elas?

                Não há problema em abstrair determinadas propriedades de seres concretos, só é necessário pensar a linha a partir da superfície.

 

 

 

 

O inteligível

 

3.      Problemas não solucionados:

Os problemas metafísicos deixados por Boécio excedem em numero e quantidade os que ele próprio conseguiu resolver.

Por exemplo:

Como o intelecto realiza a separação do que percebemos confusamente?

Existe algo de geral na realidade ou a generalização é meramente intelectual?

Como o espirito apreende o inteligível?

Um objeto sem pensamento não é sequer um pensamento, mas e se o objeto do pensamento for uma representação forjada pelo espirito?

O inteligível

 

4.      Os universais na idade média.

 

Graças a Boécio passamos de um problema lógico e chegamos a um problema de ordem metafisica. Embora não tenha sanado o problema estimulou esta problemática na idade média.

 

O inteligível

Boécio, o inteligível.

III.      Vontade e liberdade.

“Quem quer ser poderoso que Domine suas ávidas paixões e não se abandone ao prazer, companheiro tão vergonhoso. Mesmo se nos confins da Terra o Indo obedece às tuas leis e Tule mesmo treme à tua voz, afasta teus negros desejos, cessa de ter complacência contigo senão, não serás poderoso”.

(BOÉCIO. Op. Cit. III, 10.)

 

 

 

 

O inteligível

 

1.      Liberdade e providencia.

Se Deus tudo dispõe de antemão, e se o próprio acaso obedece aos decretos da providencia como entender a possibilidade de ações humanas livres?

Todo ser racional é livre, pois pode distinguir o que é bom do que é mau.

Porem apenas Deus e as substancias intelectíveis superiores possuem liberdade perfeita e completa, pois desfrutam de um julgamento infalível, já que sua vontade é inquebrável.

A alma humana quanto mais se confronta com a vontade divina mais é livre.

A maior privação de liberdade é escravizar a alma aos vícios, A suprema liberdade é querer o que deus quer e amar o que ele ama.  

O inteligível

2.      Liberdade e presciência divina. A eternidade.

Ser livre é querer tudo que a providencia quer. Mas se a providencia tudo dispôs de antemão, e se as suas disposições são infalíveis como falar de liberdade humana?

Suponhamos que Deus não previsse os atos livres, ninguém teria qualquer dificuldade para afirmar que os homens são livres.

Pois bem, a presciência de Deus é o indicio de um ato livre e não sua causa. O ato de prever não tem o efeito de determina-lo.

Além disso, Deus existe num eterno presente. Por exemplo, se o mundo for eterno, segundo Aristóteles, ainda assim ele não comunga da mesma realidade de Deus, pois o mundo tem uma duração eterna enquanto Deus não tem duração.

Deus existe fora do tempo e tudo vê no agora, não prevê. A visão imóvel e permanente que Deus tem de nos em nada nos afeta.

 

 

 

 

 

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