Brasil Sem Rotas e Fora de Rota

  Artigo de opinião Produzido para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)


Vamos falar um pouco sobre logística no Brasil. Peço perdão pelo título sensacionalista, afinal de contas todos os países têm os seus problemas e naturalmente nós conhecemos melhor os problemas do nosso país.

Mas, o que é logística afinal e o que o Brasil tem a ver com isso? Começamos definindo o conceito de logística. Segundo Mentzer (et al., 2001).

(...) a coordenação estratégica e sistêmica das funções de negócios tradicionais e as táticas entre essas funções de negócios dentro de uma determinada empresa e entre os negócios dentro da cadeia de abastecimento, com o objetivo de melhorar o desempenho de longo prazo de empresas individuais e da cadeia de abastecimento como um todo" (p 18).

Assim a logística excede os limites da empresa individual e passa ser importante para toda uma cadeia de empresas. A sobrevivência de uma empresa particular depende de uma boa estratégia logística, a eficiência dos negócios entre as empresas depende de uma boa estratégia logística e um país com condições logísticas favoráveis é mais atrativo para as empresas se instalarem e se integrarem em uma rede logística de relacionamento (MORABITO; IANNONI, 2007).

Agora vamos falar do Brasil sem rotas. O custo logístico no Brasil é estimado em cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) (MARCHETTI; FERREIRA, 2012)

Num estudo global, realizado pelo Banco Mundial, que analisou o desempenho logístico de 155 países o Brasil ficou na 41º colocação. O Brasil não segue a estratégia de outros países com grandes dimensões territoriais como China, Estados Unidos e Rússia que concentram sua matriz de transportes de cargas em modais de menor custo unitário, como o ferroviário e o hidroviário enquanto as rodovias são utilizadas apenas para transporte de cargas em curtas distâncias (MARCHETTI; FERREIRA, 2012). O uso massivo de transporte rodoviário encarece a logística do Brasil, mas ainda temos um país sem muitas rotas alternativas.

Mas, porque falar em Brasil fora de rota? Existem evidências de que o Brasil não é um país que está posicionado no contexto das cadeias globais de valor. Somos o último colocado quando consideramos as importações sobre o PIB para um universo de 133 países. Em termos de comércio com bens intermediários permanecemos entre as últimas colocações (THORSTENSEN; FERRAZ; GUTIERRE, 2014).

Podemos citar vários motivos para o isolamento do Brasil frente o fenômeno da integração por cadeias globais de valor. Mas, a logística interna é sem dúvidas um fator que encarece a integração do Brasil às cadeias globais de valor. Depois de organizar a casa, as rotas internas, precisamos uma robusta politica de ESTADO (e não de governos) voltada à integração com o comércio exterior e isso ainda só é possível se as indústrias puderem ser competitivas aqui no Brasil. Caso contrário sempre vamos exportar matéria prima e importar produtos com alto valor agregado.




MARCHETTI, D. dos S.; FERREIRA, T. T. Situação atual e perspectivas da infraestrutura de transportes e da logística no Brasil. [s. l.], 2012. Disponível em: http://web.bndes.gov.br/bib/jspui/handle/1408/1981. Acesso em: 4 nov. 2020.

MENTZER, J. T. et al. DEFINING SUPPLY CHAIN MANAGEMENT. Journal of Business Logistics, [s. l.], v. 22, n. 2, p. 1–25, 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1002/j.2158-1592.2001.tb00001.x

MORABITO, R.; IANNONI, A. P. Logística agroindustrial. Gestão agroindustrial, [s. l.], v. 3, p. 184–256, 2007.

THORSTENSEN, V.; FERRAZ, L.; GUTIERRE, L. O Brasil nas cadeias globais de valor. CEBRI, A Inserção do Brasil nas Cadeias Globais de Valor, [s. l.], v. 2, 2014.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Abrir os olhos para a verdade - Analise da admiração ingênua

O Tempo