Arranjos Produtivos Locais e Cadeias Agroalimentares: Revisão Conceitual
Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
O artigo busca fazer uma definição teórica dos arranjos produtivos locais – APLs e das cadeias agroalimentares. Os arranjos produtivos interorganizacionais são a soma de esforços de um conjunto de empresas autônomas na busca de objetivos comuns.
OS APLs são percebidos, por exemplo, em distritos industriais de micro e pequenas empresas, especializadas em setores tradicionais, tais como, couro, calçados, têxtil, vestuário e móveis, na Itália; Ou, em conglomerados de pequenas empresas especializadas em setores de alta tecnologia localizados próximos a universidades no Vale do Silício, nos Estados Unidos; ou ainda nas redes de pequenas empresas especializadas, concentradas ao redor de médias e grandes empresas de setores de tecnologia em Baden-Württenberg, na Alemanha.
Os APLs são definidos como:
(...) uma forma de organização industrial, cuja estrutura é constituída por um aglomerado de empresas – de um modo geral de pequeno e médio porte – localizadas territorialmente e relacionadas entre si por uma miúda divisão do trabalho. (COSTA e COSTA, 2005, p. 9).
Surgem economias externas desta coordenação entre firmas. Há divisão do trabalho, e especialização com integração entre os agentes de determinada localidade o que incrementa as capacidades competitivas dos produtores. Emerge uma cultura de conhecimento relacionada as atividades do APL que resulta em eficiência coletiva, aprendizado e inovação. Distrito industrial, cluster, arranjo produtivo local, sistema local de produção, etc., são alguns termos empregados para descrever essa coordenação entre firmas.
Acesso logístico, disponibilidade de mão-de-obra, existência de incentivos fiscais são algumas das vantagens encontradas por um agrupamento de empresas, em determinada área geográfica.
A Economia Industrial considera o termo APL como sinônimo de cluster ou distrito industrial, entre outros termos que surgem de diferentes abordagens teóricas, assim a definição parece bastante imprecisa. Uma perspectiva Neo-Schumpeteriana ou Neo-Evolucionista enfatiza que os processos de aprendizado e inovação ocorrem em uma localidade, território. Porém, ambos os conceitos ratificam a importância dos aspectos regionais e locais, como interações, competências e complementaridades.
O conceito de cadeia produtiva agroindustrial foi desenvolvido por duas escolas: A americana e a francesa. A primeira se organiza ao redor do conceito de agronegócio, o agribusiness (agronegócio); e a segunda, ao redor do conceito de fileira, a filière.
A produção rural é integrada pelas produções animal e vegetal e está ligada aos fatores: Terra; insumos e sementes; plantio; cultivo; colheita; transporte; armazenamento; beneficiamento e comercialização. Todos esses aspectos das cadeias agro-alimentares apresentam dependência ao clima e podem estar vinculada a setores industriais e até mesmo comerciais.
Agribusiness foi empregado por Ray Goldberg e John H. Davis para designar o conjunto de atividades que envolve a produção e a comercialização agroalimentar. Nessa perspectiva, em relação ao setor rural existe, à montante, a indústria para a agricultura e a jusante, a agroindústria.
A filière é uma cadeia agroalimentar, ou seja, é o conjunto das indústrias para a agricultura, o setor de atividades agrícolas e a indústria alimentícia. Portanto, a filière é uma sequência de atividades empresariais, levando à contínua transformação de bens, mas no contexto das cadeias agrícolas.
As metodologias de análise da cadeia proposta pelas escolas americana e francesa possuem várias semelhanças. Tanto APLs como cadeias produtivas são uma articulação natural de agentes. A discussão puramente teórica sobre esses conceitos serve de suporte para pensar as condições atuais da agricultura. Um novo conceito pode emergir da concatenação do Agribusiness, da filière e da agricultura praticada atualmente, mas haja método para tal feito.
Diego Durante Mühl, acadêmico do Mestrado em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
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