TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES E A NOVA SOCIOLOGIA ECONÔMICA: UM DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR
Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
O artigo aborda um diálogo interdisciplinar entre a teoria das organizações e a nova sociologia econômica. A sociologia econômica ganhou visibilidade internacional e nacional nas últimas décadas. Muitos temas da sociologia econômica são comuns a teoria das organizações. O trabalho faz uma construção interdisciplinar entre ambos os conceitos.
Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber lançaram as bases do campo disciplinar da sociologia econômica. Em 1980 a sociologia econômica ressurge se opondo a ciência econômica neoclássica apesentando os mercados como uma construção social. A sociologia econômica contemporânea na maioria das vezes se opõe a economia neoclássica e tenta explicar os fenômenos econômicos a partir de uma perspectiva sociológica.
A nova sociologia econômica amplia a abordagem econômica neoclássica e apresenta novas questões complexas, subjetivas de difícil mensuração. Quais são as características dos atores sociais que agem no campo econômico? De que modo podem-se descrever os campos socioeconômicos, nos quais as organizações são os principais atores? Quais os tipos de racionalidade que movem a ação desses atores e os fazem atuar no mercado? De que modo e por meio de quais instrumentos as relações de poder influenciam as organizações e os mercados? Até que ponto a inserção social dos mercados se contrapõe à “mercantilização” dos espaços da vida?
Assim a nova sociologia econômica entra no campo de estudos da teoria das organizações e aborda temas pelos quais a Administração também se interessa, ou seja, o funcionamento do mercado e suas instituições, bem como, as relações de produção e consumo.
A relação das organizações e ambiente foi estudada. Existem pressões ambientais que influenciam as empresas, o poder social é um exemplo de pressão exercida por sindicatos, consumidores, etc. Um grupo exerce múltiplos tipos de racionalidade.
Interesses e coalizões de grupos de interesses são realidades que os instrumentos teóricos apresentam limitação para abordar. O administrador considera aspectos técnicos e econômicos do ambiente competitivo, leva em consideração a tecnologia, a logística, a disponibilidade de capital, as economias de escala, os preços, os competidores etc… E aspectos subjetivos inerente as preferências e comportamento das pessoas que são ainda um fenômeno social onde o Estado deve ponderar os interesses particulares.
O exame da existência de forças e valores morais e sua compatibilidade ou não com os principais valores presentes na cultura de uma região ou grupo pode ajudar a explicar muitas vezes o crescimento, o desaparecimento ou simplesmente o modo de funcionamento de algumas empresas.
Nesse contexto o empreendedor seria um construtor de ativos sociais. A ação econômica do empreendedor contribuí para a sociedade. “Os empreendedores adquirem recursos para seus negócios utilizando estratégias socioeconômicas” (Starr e MacMillan, 1991, p. 169). As estratégias são divididas em quatro conjuntos: cooptação de recursos estratégicos (influência, amizade, favores), cooptação de “bens públicos” (legitimidade, acesso à mídia, endossos, informação, confiança), cooptação de bens subutilizados (empréstimos e obtenção definitiva de materiais, equipamentos, instalações).
É preciso que exista um diálogo de mão dupla entre a teoria das organizações e a nova sociologia econômica. O diálogo interdisciplinar traz avanços para ambas as áreas. Mas, as limitações teórico-metodológicas são os principais desafios nesse sentido de aproximar diferentes áreas.
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