Prova realizada para a Disciplina de Metafisica (Pucrs 2011)
1. Qual a diferença entre o processo sensitivo e intelectivo do ato de conhecer?
No
ato de conhecer formamos noções objetivas abstraindo-as da realidade singular.
Num primeiro estagio e grau de abstração nós temos noções objetivas com
características sensíveis da realidade singular; Trata se da matéria sensível
do singular próprio representando as noções universais.
Passando
para um segundo estagio de abstração as realidades singulares podem ser
representadas apenas pela noção objetiva de quantidade. A quantidade é a
dimensão interna de qualquer realidade, principio inteligível da realidade
material extensa.
O
ser é o principio ultimo de inteligibilidade é aquilo que o intelecto propriamente
conhece.
Qual
é e como se explica o objeto formal da ontologia?
O
objeto formal da ontologia é o ser, enquanto fundamento dos entes. Segundo a ontologia os entes são singulares
inteligíveis pelo ser enquanto este esta além do espaço e do tempo.
A
ontologia tem como objeto formal o ser. O ser sendo puramente metafisico faz
com que a ontologia tenha como tarefa fundamental verificar a inteligibilidade
do ser nos entes.
Que
se entende por reflexão metafisica e por intenção direta e reflexa e reflexa em
relação ao ser?
O
objetivo da reflexão metafisica é atingir o ser do real, contido no ato de
conhecer da afirmação. Para captarmos o inteligível presente no sensível é necessária
a reflexão e através desta podemos fazer a afirmação. Com a afirmação temos
duas modalidades do real que são a coisa sensível e seu fundamento, o ser.
A
intenção direta é aquela que se dirige a coisa sensível. Desta forma o ser é
atingido como meio pelo qual a coisa sensível se manifesta ao intelecto, ou
seja, o sensível se manifesta ao intelecto pelo ser.
A
intenção reflexa é como a segunda intenção. É uma reflexão explicita que atinge
o ser, como aquilo que o intelecto entende. Não se atinge o sensível, mas o
próprio ser, fundamento do sensível.
Explicar
as três espécies de juízos e as duas de raciocínios.
Juízos
e raciocínios tem natureza diferente conforme sua realidade.Temos um juízo
analítico e dois sintéticos. No juízo analítico a nota do predicado esta contida
implicitamente no sujeito, ou seja, para fazer tal juízo basta considerar as
notas constitutivas que constituem o sujeito.
O
juízo sintético pode ser a priori ou a posteriori. O juízo sintético a
posteriori acrescenta um predicado ao sujeito, mas este não pertence a seus
elementos constitutivos nem consecutivos. Este juízo ocorre apenas à posteriori,
pois sempre é precedido pela experiência.
No
juízo sintético a priori o predicado já esta no sujeito, é consequência da
natureza do sujeito, é modo de ser da essência. O nexo entre experiência e
predicado não depende da experiência.Dispomos de duas formas de raciocínio: O
indutivo e o dedutivo. O indutivo é formado por juízos sintéticos a posteriori,
sempre a partir de um fato singular; Por exemplo, leis físicas próprias de tais
sujeitos. O dedutivo parte de uma certeza para outra certeza universal ou
particular; por exemplo, se as realidades espirituais são imortais então a alma
humana é imortal.
Que
se entende por “método da síntese a priori”?
O
método da síntese a priori é o conhecimento anterior ao inteligível. É uma
capacidade de desvendar o inteligível presente no real. O intelecto
(intus-légit) afirmando o real, parte dele, para conhecê-lo nos elementos
inteligíveis que possui, desvendados e atribuídos ao objeto pelo próprio
intelecto. São elementos reais, puramente inteligíveis, sem conotações de
natureza sensível. Os raciocínios indutivos e dedutivos usados no cotidiano são
exemplos de juízos sintéticos a priori.
Pelo
método da síntese a priori, procede-se da afirmação do ser, a explicação de
seus componentes inteligíveis.
Qual
diferença entre juízos essenciais e existenciais?
O
ser se manifesta no ato que afirma algo de alguma coisa de modo absoluto.
Juízos
existenciais: Acentuam o “estar aí” da coisa, existir (Stare: estar ai).
Juízos
essenciais: indicam mais o modo de estar aí da realidade. Por exemplo:
"Pedro existe". O ente não é o ser, mas é pelo ser. Assim podemos dizer
que Pedro existe como homem, pelo seu ser humano.
Não
há um juízo essencial sem um existencial que seja anterior ao mesmo, assim como
não pode ser feita uma casa sem planta.
Por que o ente tanto em
sentido nominal como verbal significa ser em essência?
Na afirmação não se manifesta o ser, mas o ente constituído pelo ser,
determinado e limitado por uma essência. O ato de afirmação contém dois
elementos fundamentais: a essência, que indica possibilidade do ser existir e o
ser, que é a realização desta possibilidade.
O nome é aquilo que tem
possibilidade de ser, ou seja, é possível e tem nome, mas não tem existência.
Em sentido verbal, o ato de afirmação do concreto, está incluído o ser como
atualmente existente, mas na descrição do ente, em seu sentido genérico,
abstrai-se da existência atual.
A competência de
existir do ser, não inclui, nem exclui sua existência real atual.
Qual
a diferença entre transcendentalidade e transcendência?
Transcendentalidade:
Propriedade lógica da ideia de ente, significa o modo universal de predicar-se
de tudo o que existe. Modo pelo qual entendo as propriedades do real. Transcendência:
é propriedade real. Inteligível da realidade, ultrapassa os sentidos chega à
inteligência.
Como
pela reflexão no ato de afirmação atinge-se o ser como objeto formal do
intelecto?
No
ato de afirmação surge à noção de ente, o ente transcendental está sempre
incluído em nosso intelecto, como condição suprema da possibilidade de qualquer
operação racional.
A
simples apreensão representa a essência da realidade, que não se define como
existente, mas, como possuindo ser. A essência por si, é um modo possível do
ser existir, e como tal não significa a existência deste modo pelo ser. O
conhecimento intelectivo somente é completo na afirmação, que diz existir o que
é, e não existir o que não é.
Que se entende por proporcionalidade
entre ser e essência na afirmação?
A
idéia de ente formada no ato de afirmação compete ao ser. Nada existe ou poderá
existir, que não seja uma natureza, uma essência, como possibilidade de
existir.
A
composição de sujeito e de predicado na afirmação, importa em composição também
no ente realmente existente, não de princípios separáveis, mas proporcionais
entre si. Começando a existir, o ente finito não começa como ser simplesmente,
mas como ser de determinada essência.
O
ente diz proporção do ser para a essência. O conteúdo da idéia de ente, deve
corresponder às exigências do intelecto que conhece, e das realidades
conhecidas. A essência da idéia de ente, significa o modo de existir do ser de
todas as coisas. E o ser, significa o princípio da existência do modo de ser de
cada coisa.
A
idéia explícita de ente deve corresponder às exigências do intelecto, que
conhece e de seus objetos, afim de exprimir a unidade do conhecimento e da
realidade. Esta idéia é formada, ao pensar-se o real como real, no ato da
afirmação.
A
uma essencia determinada temos um ente determinado, a uma natureza determinada
temos uma manifestação do ser determinada.O predicado será senpre proporcional
a essência.
Qual
a diferença entre negação no ser e negação do ser?
Negação
do ser: negar o que é; Afirmar o nada é negar a posição do ser, o nada é o não
ser; O nada é um juízo de negação ao qual opõe-se o ser atualmente existente.
Negação no ser: tem em si a possibilidade de não
ser. O ser puramente de razão opõese ao ser real atual ou possivel, ou seja, é
o pensamento do pensamento emquanto pensado. Por exemplo: Uma quimera.
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