Impressões do filme, Santo Agostinho de Hipona - texto escrito em 2011 para a disciplina de filosofia medieval na PUCRS

  

Certamente ao lembrar-nos de santo Agostinho faz-se presente em nosso pensamento o maior filósofo da era patrística, sem mencionar sua teologia que influencio intensamente toda a idade média. Uma vida marcada pela juventude incrédula e pela profunda conversão que fez deste homem um ícone de toda história.

Nascido em Tagaste em Numidia, norte da África, no berço de uma família, que embora não fosse rica, era respeitada; Seu pai era um pagão, Patrício, sua mãe era cristã fervorosa, Mônica, venerada na igreja como santa.

Devido a grande devoção da mãe em seus primeiros anos de vida aprendia a doutrina cristã. Estudava na escola local, em Tagaste, onde aprendeu latim. Mas, nosso jovem almejava conhecimento, com grande esforço dos pais conseguiu um dos melhores estudos romanos, estudou retorica em Cartago.

Longe da guarda da mãe, acolheu uma conduta marcada pela imoralidade; Juntamente com seus amigos, estudantes, vivia algo totalmente oposto àquilo que apreendera com a mãe. Foi neste período que conheceu uma garota com a qual viveu durante cerca de quinze anos e teve um filho, Adeodato. A jovem era uma concubina, por isso Agostinho nunca pode casar-se com a mesma. 

Agostinho não se sente satisfeito, parecia-lhe que a retórica não mantinha compromisso com a verdade. Decorreu que na busca por algo que satisfizesse sua inquietação espiritual, juntou-se a doutrina maniqueísta.

Estabeleceu-se novamente em Cartago, sua cidade natal, onde ensinava eloquência. Passado algum tempo foi para Milão, Itália, onde continuou ensinando retórica. Frequentemente ouvia boatos a respeito de um grande pregador, tratava-se de Ambrósio, homem que exerceria capital influencia em sua vida.

Santo Agostinho, muito habilidoso com as palavras, logo foi percebido pela corte; Sucedeu que foi convidado para ser o orador imperial; seus discursos deviam fazer honra e exaltar a grandeza do “pequeno” jovem imperador, Valenciano II.

Um período de profundas crises afrontava nosso grande orador, as palavras de santo Ambrósio traziam-lhe a tona dúvidas antigas, que a doutrina maniqueísta já não era mais capaz de sanar.

Certo dia estava ele no jardim, justamente, meditando sobre suas convicções espirituais, quando ouviu a voz de uma criança, esta lhe dizia: “tome e leia”, abrindo a bíblia percebeu que nada poderia ser tão pleno e tão de luz.

Largou sua profissão no império e fez se batizar por Ambrósio, para alegria de sua mãe que meses depois faleceu afirmando que finalmente sua missão estava cumprida.

A concubina abandonou-o, retornou para Cartago onde foi ordenado sacerdote. Cinco anos depois foi consagrado bispo de Hipona e ai empenhou-se na administração episcopal, no cuidado do povo e no estudo para escrever suas obra. Morreu, em 430, poucos anos antes de Hipona ser tomada pelos bárbaros, seus últimos dias foram de enfermidade, com 75 anos, pediu para que ficasse só para assim ir ao encontro de seu Deus.

Grande homem, Santo Agostinho, não é por acaso que suas obras são tão famosas. Vale apena lembrar-se de nomes como estes, que marcaram a história, mudarão a historia e que em cada releitura continuam interferindo na dinâmica da história de vida de seus leitores.

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