Projeto de inovação turística

Texto produzido por Diego Durante Mühl na Faculdade de Filosofia da Uninter


    Segundo o World Travel & Tourism Council o Brasil representava em 2015 a 9ª maior economia turística do mundo. Naquele ano o turismo movimentou 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, cerca de R$ 492 bilhões. O setor gera em torno de 3 milhões de postos de trabalho em 52 ramos de atividade econômica, incluindo hospedagem, alimentação, agências de viagens, setor aéreo, e outros. O Brasil se posiciona em primeiro lugar no ranking mundial para o ecoturismo e o turismo de aventura segundo o Travel and Tourism Competitiveness Index (BARBOSA, 2015; BLANKE; CHIESA, 2007). Assim o turismo é uma importante atividade econômica para o Brasil e a diversidade natural brasileira é um dos principais atrativos turísticos. Portanto o turismo no Brasil é um setor com grande potencial econômico e de preservação ambiental, uma vez que a biodiversidade brasileira e a natureza brasileira são atrações turísticas importantes para o país.

    Levando em consideração o ecoturismo e o turismo de aventura como principal vocação turística para o Brasil existe a oportunidade de criar rotas turísticas aproveitando essas características. Regiões de serra, mata, cerrado oferecem diferentes experiências para os turistas, assim podem ser criadas rotas de turismo, acampamento, parques, trilhas de ciclismo, trilhas de observação da biodiversidade aproveitando essas características.

    A exploração do ecoturismo exige uma infraestrutura relacionada a alimentação e bem estar dos turistas, aqui há a oportunidade de prestação de serviços, como hospedagem, alimentação, transporte, entre outros. A cultura local, os alimentos e bebidas típicos de um povo são aspectos culturais que podem personalizar a experiência dos turistas, o folclore local, danças costumes podem ser apresentados como atração aos turistas.

    Em outra perspectiva isso envolveria as comunidades locais promovendo o chamada Turismo de Base Comunitária capaz de agregar renda e desenvolvimento a comunidades locais (FAXINA; FREITAS, 2021). Assim a atividade ganha um papel social importante porque além de promover a troca cultural também gera empregos e oportunidades de renda para comunidades locais.

    O novo Corona Vírus alterou significativamente a vida das pessoas e o setor do turismo sofreu um grande impacto (GÖSSLING; SCOTT; HALL, 2020), mas isso pode ser visto como uma grande oportunidade de inovação no setor. A pandemia confinou as pessoas e tornou mais difícil a realização de atividades em ambientes fechados, o que incluí o transporte de turistas.

    Por outro lado, com as mutações sofridas pelo coronavírus, e com o risco da pandemia se tornar uma endemia (BBC, 2021) as pessoas estarão buscando alternativas para sair do confinamento e o ecoturismo é uma atividade de grande potencial. Além disso, o contato com a natureza, a busca por qualidade de vida e a procura por um estilo de vida mais saudável são condições favoráveis para a promoção do ecoturismo.

    Vamos tomar como exemplo a microrregião do Médio Alto Uruguai do estado do Rio Grande do Sul. O setor do turismo não é muito desenvolvido, porém a região apresenta potencial para o ecoturismo fica próxima a um dos maiores remanescentes de Floresta Atlântica do Norte do Estado do Rio Grande do Sul o Parque Estadual do Turvo, no município de Iraí possuí águas minerais termais, ainda nessa região o município de Ametista do Sul é conhecido como a capital mundial da pedra ametista, por conta da extração de pedras semipreciosas. Existe a iniciativa de se criar a Rota das Águas e Pedras na região, porém ainda é preciso investir em infraestrutura, publicidade e pesquisa para o desenvolvimento do turismo na região.

    O ecoturismo de um lado pode colocar as pessoas dos grandes centros urbanos em contato com a natureza, recuperando aspectos importantes da relação entre o ser-humano e a natureza, reduzindo stress e promovendo qualidade de vida.

    Por outro lado, em uma região pouco desenvolvida economicamente essa é uma oportunidade de geração de renda e desenvolvimento.

    O ecoturismo, passeios e visitas, poderiam ser usados para a ressignificação da relação entre ser humano e natureza poderia inclusive ser promovida em escolas, universidades, centros sociais como uma maneira de refletir sobre a importância dos bens naturais para a humanidade. Em outras palavras, essa seria uma forma de promover o reencontro do ser humano com a natureza para repensar os valores da nossa sociedade, atribuir sentido as ações humanas no mundo e promover a sustentabilidade.

Referencias

BARBOSA. Índice de competitividade do turismo nacional. Brasília, DF: Ministério do  Turismo, 2015.

BBC. Coronavírus: o que é um vírus endêmico, como pode se tornar o Sars-Cov-2 - BBC News Brasil. [S. l.], 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-52722190. Acesso em: 30 dez. 2021.

BLANKE, J.; CHIESA, T. Travel & Tourism Competitiveness Report 2007. [S. l.]: World Economic Forum, 2007. E-book. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=Cklifc1JumMC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 30 dez. 2021.

FAXINA, F.; FREITAS, L. B. A. ANÁLISE DE IMPLANTAÇÃO DO TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA EM TERRA CAÍDA, SERGIPE, BRASIL. Turismo: Visão e Ação, [s. l.], v. 23, p. 242–262, 2021.

GÖSSLING, S.; SCOTT, D.; HALL, C. M. Pandemics, tourism and global change: a rapid assessment of COVID-19. Journal of Sustainable Tourism, [s. l.], p. 1–20, 2020.

 

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