Cooperação interindustrial e redes de empresas
Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
Fatores subjacentes como a relação entre empresas podem ser destacados como importantes artifícios de desempenho competitivo. A crescente sofisticação das relações industriais faz emergir o conceito de estruturas em rede entre empresas.
O conceito de redes é muito maleável e pode ser aplicado para estudar diversos fenômenos. Na teoria econômica se destacam duas abordagens: Uma de caráter instrumental para a compreensão da dinâmica dos mercados numa perspectiva microeconômica, e; Outra que compreende as redes como objeto específico de estudo.
Os elementos estruturais das redes são nós (empresas ou atividades), posições (Estrutura de divisão de trabalho), ligações(Relacionamento entre empresas) e fluxos(de bens e informações). Muitas estruturas de redes surgem da necessidade de estabelecer alianças estratégicas entre empresas. Segundo sua morfologia, as redes podem apresentar três tipos de ligação distintas: Ligações puramente mercadológicas; Integração de etapas numa cadeia produtiva, compartilhamento de uma série de procedimentos técnicos produtivos; E, por fim, A integração de conhecimento e competências para viabilizar um processo de inovação, ou seja, existe um esforço tenológico conjunto e ordenado.
É mister destacar que os fluxos entre redes de empresas apresentam fluxos tangíveis e intangíveis, de bens e produtos ou de informações e valores. Os nós, as posições, as ligações e os fluxos são uma simplificação para o entendimento das redes, mas o estudo das redes requer um esforço de sistematização de dupla direção no sentido de estabelecer as conexões entre tais estruturas. As redes são construções abstratas que servem como artifício para viabilizar e explicar determinado tipo de análise.
A consolidação de redes possibilita uma colaboração técnico produtiva que se reflete em eficiência nos processos operacional com ganho de flexibilidade produtiva. Em outras palavras, os agentes especializados de uma rede consolidada possibilitam economias de escala e escopo, até mesmo instabilidades ambientais dos negócios podem ser amenizadas pela consolidação de redes, contratos regulam a ação dos agentes e geram confiança mútua.
Em redes consolidadas e com viés de cooperação entre agentes se amplia o potencial inovativo pelo intercambio de informações ou pode ocorrer um aprendizado coletivo quando se introduzem atividades conjuntas de pesquisa e desenvolvimento, há um incremento de competências que propulsionam novas tecnologias.
A terceirização ou subcontratação de atividade é comum entre empresas. Algumas relações tendem a ser nobres ou importantes e são mais cooperativas, outras são puramente mercantis dependendo do grau de interdependência dos agentes envolvidos.
Há grandes ganhos de eficiência produtiva pelo processo de especialização de atividades e aglomeração espacial de atividades complementares. A divisão de trabalho possibilita a redução de custos de produção e a rápida adaptação em caso de demanda volátil, a proximidade espacial cria um ambiente de qualificação e especialização profissional que culmina em vantagens competitivas para os participantes da rede.
A emergência e consolidação de redes de relacionamento entre empresas é um fenômeno substancial para a agregação de valor, à produção e geração de riquezas. Mas, é notável que existe a tendência de monopolização de determinados produtos e serviços. Se por um lado a consolidação de redes melhora a eficiência e possibilita a pesquisa e o desenvolvimento de muitas inovações, por outro lado, existe o perigo de monopolização dos mercados, fato que pode minar um princípio fundamental do liberalismo econômico: A livre concorrência.
A consolidação de redes, a verticalização e até mesmo a cooperação, que parecem a princípio ótimas soluções, a longo termo podem levar a um processo de acumulação de riqueza, economias de escala e escopo que inviabilizam a concorrência e causam a entropia do sistema ou aumentam a desigualdades até o colapso do sistema capitalista.
Diego Durante Mühl, acadêmico do Mestrado em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
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