Inputs para analisar os micro e pequenos empreendimentos agroindustriais no Brasil
Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)
A Teoria econômica Neoclássica pouco explica sobre os pequenos empreendimentos rurais. A sociologia econômica e a teoria das convenções fornecem instrumentos para pensar e explicar as micro e pequenas empresas.
A sociologia econômica é o estudo da dinâmica dos mercados a partir de redes sociais. Os fundadores da sociologia ou eram, ao mesmo tempo, economistas (Marx, Pareto), ou ocupavam cátedras de economia (Weber).
Até o século XIX a esfera da economia foi claramente delimitada pelas regras e costumes da organização social. A a vida econômica não se confundia com o mercado, antes disso, era uma combinação de sistemas de reciprocidade (entre famílias, clãs e grupos) e redistribuição (entre o Estado e a sociedade), com alternância na predominância de cada forma a depender do tipo de sociedade. Nem a economia tradicional foi totalmente desprovida do cálculo nem a economia moderna foi isenta de ingerência social.
Granovetter conclui que o que caracteriza a busca de emprego através de meios formais é a falta de inserção em redes sociais. Redes sociais permitem demonstrar a maneira em que a ação econômica é permanentemente filtrada por relações sociais. A pequena agroindústria está nessa dinâmica de uma rede social, baseada em co fiança e portanto está a certa distância do mercado comum. O modelo neoclássico, portanto, representa apenas uma das formas de institucionalizar o mercado, onde normas apresentadas e justificadas como sendo impessoais de fato correspondem mais aos interesses de alguns grupos em detrimento de outros.
O produto acompanha a expansão e o grau de “trânsito” da rede social, mas as condições de difusão além dessas fronteiras exigem mecanismos e formas de sinalização de qualidade que substituem a falta dos conhecimentos tácitos da rede de origem. O enfoque de “construção social”, exemplificado acima nos trabalhos de Busch e no estudo de caso de morangos, mostra como as limitações de embeddedness para concorrer em mercados à distância podem levar a um processo inverso de autonomização do produto da sua rede social de origem, como precondição para a sua transformação em commodity.
Os enfoques de “ator-rede” e das convenções, por outro lado, identificam a maneira como as qualidades especiais de mercados de proximidade podem ser “transportadas” para concorrer em mercados extra-regionais, nacionais e até globais, independentemente do acompanhamento da rede social de origem. A chave nesse caso é a capacidade de traduzir os valores e os mecanismos de confiança, válidos em mercados de proximidade em artefatos, normas e regras que transportam essas qualidades específicas à distância, tão eficazmente quanto os mecanismos que consagraram os mercados de commodities.
Diego Durante Mühl, acadêmico do Mestrado em Agronegócios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
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