Entre Deus e o diabo mercados e interação humana nas ciências sociais

 Resenha Crítica Produzida para a Disciplina de Agronegócio conceitos e Aplicações (2021)


Os mercados podem ser compreendidos como o mecanismo de formação de preços, onde os consumidores fazem suas escolhas de acordo com suas preferências, criando demanda e oferta que são a base para a formação dos preços dos produtos. Mas, os mercados também são estruturas sociais, a conduta dos indivíduos é explicada socialmente e “a racionalidade dos indivíduos é limitada” pelo contexto onde os mesmos estão inseridos.

O mercado é uma instituição, construção social em última estância. Assim a economia mostra como os indivíduos fazem escolhas, por outro lado a sociologia estuda o conjunto de escolhas particulares como fenômeno social. Porém, devido a tendencia à interdisciplinariedade observada nas últimas décadas, tanto a economia como a sociologia em certos pontos convergem na resolução de problemas.

O mercado passa a ser abordado como uma forma de coordenação social caracterizada por conflitos, dependências, estruturas e imprevisibilidades. Com a nova sociologia economia há certo distanciamento da imagem canônica consagrada na teoria do equilíbrio geral dos mercados. O mercado não pode ser um fenômeno mecânico de formação de preços, o mercado não é alheio a estrutura social. Para que haja mercados, são necessárias condições sociais e comportamentais que vão muito além do que se entende habitualmente por auto-interesse dos atores.

É nítida a convergência entre importantes correntes da sociologia e da economia no sentido de preconizar o estudo dos mercados como estruturas sociais e não simplesmente como um mecanismo abstrato e neutro de encontro entre compradores e vendedores pautados no egoísmo humano. Os mercados devem ser abordados no ângulo institucional, sociológico, histórico, como construções sociais.

A interação egoísta e espontânea entre pessoas não garante a constituição de uma sociedade e não é suficiente para explicar a institucionalização dos mercados. O mercado é uma construção social e não pode ser tomado como um mecanismo abstrato perfeito de troca e obtenção de vantagens racionais ilimitadas.

Os mercados parecem ser uma instituição social, fundamentada pelos interesses das pessoas particulares, não significa que as pessoas são sempre egoístas. Mas, quanto mais limitados e necessários são os recursos necessários às pessoas mais acirrada fica a competição e as pessoas, por questão de sobrevivência, tendem a ser mais egoístas.

Em suma, o mercado enaltecido e o mercado demonizado são o resultado de uma categorização ou abstração sensacionalista, abstrata e reducionista da realidade. O desafio grande desafio reside em abordar fenômenos complexos e lidar com grane quantidade de variáveis sem se usar da abstração ou disciplinaridade para não cair no perigo do reducionismo da realidade.

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