A filosofia de Santo Agostinho - Trabalho para a disciplina de Filosofia medieval (2011)

 

Santo Agostinho

 

O problema abordado passa a ser outro. Parece-nos que o centro da indagação filosófica começa a tomar outra perspectiva. Não é mais a “kinesis” (do grego: tráfego, mutação, transformação). Não é mais a instabilidade do real, o vir a ser de Parmênides ou as mutações da Phisis (do grego: natureza); A filosofia muda rigorosamente. O problema é outro, agora a kinesis, a transformação, dá lugar para uma ideia de criação que é desconhecida aos gregos. A situação é distinta, nova e Santo Agostinho é o primeiro grande filósofo cristão.

A criação é novidade, porém podemos perceber que Plotino (Licopólis-205 D.C, Egito - 270 D.C.), pensador neoplatônico influenciado pelo cristianismo, apresenta alguns traços que podem ser relacionados com a ideia de criação: O uno, algo semelhante a uma divindade, por emanação tudo produz. Embora tenha traços emanação não é o mesmo que criação. Segundo o cristianismo no início Deus criou o mundo do nada. Na emanação o processo teria acontecia a partir de uma matéria prima já existente.

  O pensamento cristão vai além do que imaginavam os gregos, não é a transformação é Deus que do nada, por amor, cria tudo. Põe o mundo em existência como algo distinto de si. Desta forma são moldados novos problemas; Leibniz, depois Unamuno e por fim Heidegger questionará: “Por que existe algo e não nada”? Questões deste gênero surgem da inquietação desencadeada pelo cristianismo. Temos ainda uma questão primordial: Sempre usamos a expressão “ser” para definir tudo o que é; Se o criador é radicalmente distinto do que foi criado, então poderíamos afirmar que ele é? O cristianismo trouxe novo ponto de vista, portanto novas questões, justamente algumas as que foram tratadas por Santo Agostinho.

Embora um dos maiores nomes da filosofia cristã Santo Agostinho foi pagão boa parte de sua vida. No inicio o jovem nascido no norte da África, filho de pai pagão e mãe cristã (Mônica, venerada na igreja Católica como santa), não se entusiasmou, de primeira mão, com a leitura das escrituras cristãs. Desenvolvera, pois certa afeição por doutrinas como o maniqueísmo, não só por esta, mas também por doutrinas de cunho dualista, o que mais adiante fez com que este se apaixonasse pelas questões filosóficas cristãs.

 Sua vida muito agitada era marcada por constantes viagens, foram justamente estas as que o colocaram em contato com diversas doutrinas e experiências. Na Itália em Milão ouvia regularmente os sermões de Santo Ambrósio, embora ainda não fosse um cristão, percebia que o cristianismo poderia oferecer-lhe algo. Em uma profunda crise, certo dia, julgou ouvir a voz de uma criança que disse: "Tolle, lege" (do latim: tome leia), abrindo a escritura encontrou no novo testamento uma passagem que lhe causou profunda impressão. A partir desta experiência com algum tempo aos poucos se aproxima do cristianismo e então no sábado santo de 387 fez se batizar.

Logo torna se bispo da igreja em Hipona onde desenvolve fortemente suas atividades pastorais, suas reflexões teológicas e filosóficas. Uma profunda mudança, antes pagão tinha uma visão sobre o mundo, agora diante de sua transformação tenta compreender sua experiência.

Fruto de suas reflexões surge uma obra revolucionaria no sentido de que nunca antes na história foi desenvolvida uma obra de tal cunho. O livro “As confissões” é o primeiro que trata do mais profundo intimo, onde como uma confissão, Santo Agostinho explana em um livro sua intimidade. Esta é a obra que exterioriza um homem interior, seus pensamentos e suas descobertas.

Um extraordinário ponto de partida para a compreensão do mundo é aberto. Ora, na intimidade sempre é possível aprofundar-se, é descoberta uma realidade desprovida de limites. Neste novo horizonte na busca de sua intimidade o homem também busca Deus; De trinitate (do latim: sobre a trindade) é a segunda grande obra de Santo Agostinho, trata da do problema da trindade. Existe ainda um terceiro livro “De civitate Dei” (cidade de Deus), escrito no momento da crise do império romano ameaçado pelos bárbaros, é uma obra pouco mais pobre do ponto de vista cristão, porém extraordinária obra.

Para evidenciamos a grandeza das obras de Santo Agostinho basta olharmos para a história. Por oito Séculos seu pensamento dominou o cristianismo absolutamente, sem considerar que a filosofia moderna iniciada em Descartes tem fortes traços do pensamento agostiniano.

É maravilhoso o desenvolvimento da filosofia. As novas visões a partir de uma nova realidade, condicionadas agora pelo cristianismo, demostram a riqueza desta época do pensamento, que foi construída apoiada em gigantes, Platão e Aristóteles. Sem duvida a filosofia moderna é a continuação, não integral, dinâmica da mesma filosofia da antiguidade que desenvolveu-se no decorrer da história.



Diego Durante Mühl

 

 

 

 

 

 

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