SOBRE O TEMPO: VIVER O “CARPE DIEM”
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA FREDERICO WESTPHALEN
DIEGO
MÜHL
GUILHERME
STEFANELLO
NATANAEL
GONCHOROSKI DE SOUZA
SOBRE
O TEMPO: VIVER O “CARPE DIEM”
Ensaio crítico
apresentado como requisito parcial para obtenção de aprovação no Componente
Curricular Oficina de Produção de Textos Escritos e Orais na Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul.
Prof. Msc. Gilmar de
Azevedo
Orientador
FREDERICO
WESPHALEN
2013
O
ser humano é o único animal que tem o dom da consciência, por dádiva divina ou
por graça do destino, disso ao certo não sabemos; Mas, é esse “Dom” o
responsável pela nossa sabedoria, é o que sabemos, é do que falamos, é a
cultura, é o que vivemos; É também por causa disso que sabemos que o hoje é
hoje, e não é ontem, e nem amanhã; Mas, quem sabe também sofre, e saber que o
amanhã vira hoje e que o hoje vira amanhã nem sempre é uma experiência
agradável; Saber que o nosso precioso tempo se esvai como que entre nossas mãos
pode ser terrivelmente angustiante; E quanto a isso nada podemos fazer o
relógio não volta, e se volta às transformações não se desfazem; “O tempo não para” (Cazuza), o que fazer
com o pouco tempo que ainda nos resta, como aproveita-lo; Carpe Diem, aproveitar o dia, é isso que buscamos.
O
tempo: somos nós, os humanos os únicos seres a medi-lo, contá-lo; Ele está
presente em tudo, e ele passa, e quando olhamos pra trás sempre pensamos como
poderíamos tê-lo aproveitado.
“Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Devia ter arriscado mais [...]
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
[...]
Devia ter
complicado menos
Trabalhado menos
[...]
Devia ter me
importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de
amor..." (Epitáfio, Titãs).
“Epitáfio” da
banda brasileira Titãns; Epitáfio são
frases escritas sobre túmulos, mausoléus
para homenagear pessoas ali sepultadas.
A
musica apresenta uma análise da vida de uma pessoa comum, que olha para o
passado e vê que perdeu muito de seu precioso tempo e agora esta
impossibilitada diante da situação; Além da beleza da musica ainda observamos a
genialidade da letra, que tende a apresentar um ponto de vista para que a
partir deste o ouvinte indague sobre o tempo perdido.
Talvez
não perdesse tanto tempo se soubesse o que fazer, se assim fosse poderia estar
extraindo de cada dia o máximo, diz o poema: “Colhe todos os botões de rosa antes que o dia acabe (...)”; É o que
a musica tenta passar quando diz para amar mais, chorar mais, arriscar mais;
Assim precisaríamos de experiência para saber o que fazer e não perder o
precioso tempo.
Algumas vezes pensamos o que faríamos quando mais
jovens com a experiência e o conhecimento de um adulto; O conto, “A Segunda Vida”
de Machado de Assis, relata a narrativa de um homem que diz estar vivendo sua
segunda vida. Ele afirma ter morrido em março de 1860, aos sessenta e oito
anos, e renascido em janeiro do ano seguinte:
“Comecei
a andar tarde, por medo de cair, e daí me ficou uma tal ou qual fraqueza nas
pernas. Correr e rolar, trepar nas árvores, saltar paredões, trocar murros,
coisas tão úteis, nada disso fiz, por medo de contusão e sangue. Para falar com
franqueza, tive uma infância aborrecida, e a escola não o foi menos.” ( A segunda Vida, Machado de Assis)
Partindo desse trecho nos deparamos com a
possibilidade de à sabedoria passada trazer: medo, receio de fazer pequenas coisas
necessárias para crescer, para exercitar o corpo e o bom humor, para rir até dos
tombos e quedas, e o mais importante, para aprender (ou no caso, reaprender) a
levantar.
Agora
parece que aproveitar o tempo não está diretamente relacionado com a posse da
experiência; Contrário à obra de Assis,
“O curioso caso de Benjamin Button” baseado
em um conto
homônimo lançado em 1921 pelo escritor F. Scott Fitzgerald; Filme dirigido por David Fincher
e escrito por Eric Roth; Conta a história de um homem,
Benjamin, que em 1918 nasce com a aparência envelhecida e por isso seu pai o
abandona; Benjamin é criado num lar assistencial de idosos e, enquanto pequeno,
todos pensavam que ele iria acabar por morrer rapidamente; Durante a sua
infância conhece Daisy, o grande amor da sua vida; Apesar de ninguém acreditar
na sua sobrevivência, ele vai ficando mais novo ao longo dos anos, vendo os
outros ao seu redor envelhecerem.
Chama
a atenção no filme, no inicio, um relojoeiro cego, constrói um relógio para uma
grande estação, porem seus ponteiros giram ao contrario, quando questionado o
porquê disso, ele explica:
“Eu fiz dessa forma, pra que talvez os rapazes que
nos perdemos na guerra, se levantem
e voltem pra casa, voltem e encontrem trabalho, e tenham filhos, vivam uma vida
plena e longa, talvez meu próprio filho volte pra casa...” (O curioso caso de Benjamin
Button).
Isso
nos lembra de quanto queremos mudar o passado, livrar-nos de um dor, de uma
perda.
Nascer
na velhice e morrer na juventude; É como o relógio que anda para traz, embora o
tempo do relógio esteja voltando, as transformações não param de acontecer e
não acompanham o relógio.
Ainda buscamos aproveitar todo o nosso tempo, mas
não podemos viver a experiência de Benjamin
Button e já que estamos sempre envolvidos com o nosso
trabalho ou com outras atividades não pararmos pensar no que faríamos se não
fizéssemos o que a sociedade nos ensina a fazer.
A
contemporaneidade nos exige desenvolver diversas funções sociais que consomem
nosso precioso tempo; Quando queremos pensar nisso inevitavelmente nos
remetemos a Theodor Adorno e sua obra: Indústria
cultural e sociedade.
Quando
fala de tempo livre em sua obra Adorno questiona a delimitação imposta pelos
meios de produção e levanta uma hipótese; Em suma, ele questiona os meios que a
sociedade cria para tirar proveito e explorar nosso tempo; E assim, o tempo
livre já é limitado, pois quando temos o
ócio (como diziam os Gregos da Grécia Antiga) não estamos livres, estamos
aprisionados aquilo que a sociedade e os meios de produção nos ensinam.
O Carpe Diem é algo difícil de compreender, afinal não
sabemos qual é a melhor forma de aproveitar o dia, porém é algo simples de
viver, basta sabedoria, que não é sabedoria racional; Aproveitar o dia é algo
que está diretamente relacionado a uma perspectiva, a um ponto de vista otimista
diante da vida; “Aprende que o tempo não
é algo que possa voltar [...] Por isso, plante seu jardim e decore sua alma ao
invés de esperar que alguém lhe traga flores” (Willian Shakespeare).
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