Abrir os olhos para a verdade - Analise da admiração ingênua
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO
GRANDE DO SUL.
Faculdade
de filosofia e ciências humanas.
Professor:
Dr. Pergentino Stefano Pivatto.
Acadêmico:
Diego Durante Mühl.
Síntese do livro Introdução ao filosofar de
Gerd A. bornheim.
A posição do problema.
O
inicio do filosofar marca a beleza e a grandeza de uma filosofia. Desta
problemática parte o nosso trabalho.
A
atitude inicial do filosofo determina o caráter final de sua filosofia. O
próprio Descartes marcou o cogito como ponto de partida de sua metafisica.
Descartes teve um sentimento primeiro que resultou no desenvolvimento de sua
filosofia. Este sentimento primeiro será nosso objeto de estudo.
Para
o desenvolvimento de nosso trabalho temos grandes nomes da história da
filosofia, porem existe uma dificuldade: O que acontece é que os autores
desenvolvem sua obra e não sua biografia. Como saber qual o sentimento que
Descartes (por exemplo) sentiu para que houvesse sua iniciação na filosofia?
A
questão acima faz nos reconhecer que existe uma atitude de iniciação. Karl Japers
destaca três:
A
admiração, como impulso inicial.
A
duvida, como iniciação do espirito critico de todo filosofar.
E
a insatisfação moral que leva o homem a tomar consciência de sua própria
miséria criando a necessidade de uma fundamentação racional.
Obviamente
que se tomadas em si às três atitudes, elas se revelam insuficientes.
Aristóteles
pergunta: Por que pertence a melancolia ao ser do filosofo. Nesta perspectiva
aristotélica não é a admiração, mas uma espécie de “inquietude” melancolia.
O problema
se impõe melancolia ou admiração? Qual é a mais fundamental? As duas têm suas
razões, qual melhor corresponde à índole da filosofia? Seriam ambas momentos
integrantes do filosofar? Neste caso, de que maneira? Como se processa esta
integração?
Analise da
admiração ingênua
Inicialmente
analisemos a manifestação filosófica em seu desabrochar em um horizonte de
ingenuidade. Quais são as características fundamentais desta faze? Como as
compreender?
Sentido de abertura: Comportamento
admirativo por excelência. Um pessimismo se apresenta, ou seja, existe uma
inconformidade que surge aparente inexplícita. Não se trata de um pessimismo
desenvolvido “não se trata de uma recusa do real”, é apenas um gesto ingênuo
uma desconfiança básica.
Tudo
o que tem força de ser é passível de admiração. A primeira característica da
admiração ingênua é compreendida como uma abertura, sentimento de pura
disponibilidade amorosa e desinteressada. Esta disponibilidade com o outro
implica a consciência de outro, reconhecemos o outro como outro. Sabe-se que o
outro é outro, sabe-se que ele não é “eu”, então a consciência é pressuposto
para a admiração.
A admiração
ingênua não é surpresa, não é pasmo. Ora a surpresa é sempre “imprevisto” este
imprevisto nos descontrola. O mesmo acontece com o pasmo porem o descontrole
que nos vem com o pasmo sempre é maior. A admiração em primeira estancia se
assemelha a surpresa, porém permanece como atitude desejada (quando não é mais
desejada não é mais admirável) só admira quando quer admirar. Quanto à surpresa
nunca é desejada, sempre é surpresa.
O comportamento
dogmático.
O que faz o homem passar da
dogmaticidade a uma atitude critica?
O que tem um comportamento
dogmático vive em um mundo dado, pronto “as coisas são assim como devem ser” e
tudo que aconteça por mais extraordinário sempre esta longe de abalar esta
postura natural.
Ocorre que existe uma compressão
implícita definida por Husserl como “tese geral”.
Especificação da tese geral em
tríplice dimensão:
Ordem gnosiológica. A tese geral
supõe que eu possa conhecer o mundo, pois este não oferece resistência.
A ordem gnosiológica é fundamentada
no segundo aspecto de tese geral. Aspecto ontológico. Se eu posso conhecer o
mundo isso ocorre por que de fato ele existe.
Tanto
a ordem gnosiológica quanto o aspecto ontológico fundamentam-se na terceira
dimensão. A dimensão axiológica, se o mundo tem algum valor este lhe é próprio,
independente de mim devo aceita-lo como existência objetiva.
O comportamento dogmático não se
priva de questionamentos. Porem nunca duvida da tese geral e se duvida, duvida
apenas de um aspecto, mas não da tese em si. Deixa o comportamento dogmático
apenas àquele que radicalmente aceita, que a realidade vacila, ou perdeu o
sentido.
De maneira global o comportamento
dogmático salienta familiaridade com o mundo em que vive, onde a postura
pragmática oferece certa segurança. Tal segurança não só aceita a tese geral,
mas também não sabe que aceita, ou se quer cogita possibilidade de pô-la em
duvida.
Se o comportamento dogmático não
permite qualquer questionamento sobre a primeira de todas as diferenças, então
como alguns passam da dogmaticidade para o comportamento filosófico?
A ruptura da
dogmaticidade e a experiência negativa.
O mito da
caverna é um ilustre para o desenvolvimento deste tema. A maioria dos homens
vive nas sombras, veem o mundo as avessas. A sabedoria platônica excita olhar
para a luz completamente porem, isto esta longe de ser fácil. A dor e o risco
são pressupostos do filosofar.
A segurança
em determinado momento cede a uma desconfiança. “De repente a criança se vê
sozinha longe dos pais”. Perde, pois a segurança, começa a sua biografia.
A
experiência negativa se demostra mais uma vez necessária. Perde a segurança,
não aceita o mundo e não é aceita pelo mesmo. Depois do comportamento
dogmático, a experiência negativa e por fim a filosofia como tarefa.
Extensão da
experiência negativa.
A
experiência negativa em toda sua extensão. Esta extensão será reduzida a certos
tipos fundamentais.
Duas
posturas básicas. Numa o individuo se entrega ao que acontece, é passivo. Em
outra o individuo passa a ser ativo nega seu objeto.
Passivo,
ativo, existencial, intelectual. Examinemos:
A
experiência negativa apresenta-se como passividade intelectual na consciência
da própria ignorância. O homem não sabe ou se sabe, sabe apenas que é
ignorante.
Experiência negativa intelectual
que é ativa: A dúvida. A dúvida chega ao
seu ápice no ceticismo. Nada é. Se alguma coisa é, é incognoscível para o
homem. Na hipótese de que algo é este é incomunicável. Este estágio de
ceticismo atinge seu absoluto. O homem é separado de tudo e de todos.
A negatividade num comportamento de
passividade existencial. O homem sofre a perca do mundo. Todo o comportamento
perde sua razão de ser. Tudo passa a ser náusea. O homem quer o mundo em que
vive embora saiba que este é apenas utopia, tal sentimento é terrível de tal
forma que o homem chega a educar-se para o mal. O mal é uma forma de desordem,
a falta de segurança causa desordem, a desordem causa certa repressão a ordem
por isso as “flores do mal”.
Qual seria então a natureza da
negatividade e sue possível significado?
Significado e
superação da experiência negativa.
Qual a essência que constitui a
experiência negativa? Seria a separação a distancia? A separação a distancia é
o que caracteriza um ser de consciência.
O homem dogmático tem consciência,
ter consciência é estar separado. A distância e a separação não satisfazem
nossa questão.
Consciência também não é apenas
separação, pois existe uma relação. A dogmaticidade da consciência é à maneira
de relação que ela tem com o mundo.
Agora quando falamos em
negatividade compreendemos o egocentrismo não ha relação o homem se fecha em si
próprio.
A negatividade constitui uma das
modalidades de experiências humanas. É uma faze que pode chegar ,assim como
outras, a consequências extremas. No caso da negatividade: O niilismo.
Por niilismo devemos compreender
uma posição que faz da experiência negativa um absoluto. A realidade toda e a
existência humana tornam-se um absurdo. O horizonte é perdido a experiência
negativa é tão intensa que impossibilita uma possível transcendência da
situação.
Impõe-se aqui a impossibilidade de
transcender a negatividade justamente por que o principio da negatividade
antecede, ou seja, o problema esta na tese geral, no fundamento de tudo.
A superação da negatividade só
dar-se-á quando ela mesma possibilitar uma nova abertura de horizonte que implica
reconquista. E verídico que o comum da experiência negativa é isolar o homem em
sua alma, de tal forma a abertura é necessária para a libertação. Somente a
abertura descentraliza o egocentrismo.
E na postura dogmática o homem não
assume realmente o mundo é por que ele já o assumirá desde sempre, a ruptura é
o que caracteriza a perca deste mundo assumido. Após perca, a realidade não
deve ser negada, mas deve ser reassumida. A perspectiva de mundo agora é mais
madura mais responsável exige uma nova tarefa: a filosofia.
A conversão
filosófica.
Finalmente
após todo este processo é chegado o momento do ato de assumir a filosofia,
assumir a responsabilidade do real.
O ato de
assumir é fruto de uma resolução, não tem um marco inicial não se processa ex- nihilo. Pode se falar em resolução ex-nihilo no sentido de que supõe a
experiência negativa.
O homem faz
filosofia não por um diploma ou por moda para não estar sozinho quem faz
filosofia envolve toda sua existência, ele também “é” filosofia. Envolve-se e
toda sua existência é implicada, a interioridade, não se faz filosofia de fora
o ato de filosofar parte da interioridade. O homem é livre quando tem sua ação
condicionada puramente pela sua interioridade.
No ato de filosofar condensa-se o espirito
critico do filosofo. O espirito critico, este que surge da experiência negativa,
que por sua vez exige a reafirmação do real. A reafirmação só é possível com a
abertura, esta abertura é o que permite compreender a filosofia como amor a
sabedoria.
Conclusão.
Através de
uma primeira delimitação afirmamos que a redução do problema a qualquer analise
histórica leva-nos a falsificação.
A seguir
analisamos três momentos da admiração ingênua. Concluímos afirmando a
disponibilidade que permite a admiração ingênua.
Analisamos o
comportamento dogmático. A indiferença ontológica é o próprio de tal
dogmaticidade.
O
comportamento negativo surge, pois como ruptura da dogmaticidade. O
egocentrismo ganha força e se a abertura não acontecer à superação não se dará.
Com a
superação do negativismo assumimos a nova realidade e por consequência a
própria filosofia.
A filosofia
é, pois uma ocupação do homem que encontra no mesmo seu ponto de chegada.
Realiza-se o homem como liberdade e inteligência.
O ser é pois
a medida do homem e do filosofar.
Diego Durante Mühl
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