A Felicidade Não É Um Direito
A Felicidade Não É Um Direito[1].
A sociedade da informação, onde o
desenvolvimento tecnológico avança tão rápido que o ser humano não é capaz de
alcança-lo, parece acentuar as angustias humanas num ciclo incontrolável. A
velocidade e o estilo de vida adotado tendem esmagar aqueles que a isso se
sujeitão e a única fuga parece ser: Acentuar mais a velocidade, afundar-se mais
no mesmo estilo. Embasado no artigo de Eliane Brum o presente artigo de
posicionamento pessoal objetiva esclarecer os motivos que tornam as pessoas
cada vez mais despreparadas para lidar com circunstâncias naturais da vida
humana - a angustia, a frustração e a fragilidade da matéria da vida.
A autora do artigo aqui abordado
apresenta uma classe de jovens com muitas habilidades e ferramentas, mas que se
veem imobilizados pelas premissas básicas da vida, " foram crianças e
adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de
relevante". Esses "estreantes na vida adulta" sofrem,
pois não sabem como lidar com as dificuldades da vida. A superproteção advinda
de seus pais, alimentada pela crença fantasiosa de que frustrar os filhos é um
fracasso pessoal, alimenta, nos filhos, outra crença não menos fantasiosa de
que é possível viver sem sofrimento e de que a felicidade é um direito desde
sempre garantido. Não sabem como lidar com o próprio sofrimento, diante da
primeira decepção se emburram - respondendo a "gritos e cotoveladas",
depois com a cara amarrada sentem-se traídos pela vida. Dominam a técnica, a
tecnologia, aprendem com facilidade tudo que é relacionado as mesmas, mas são incapazes
de aceitar algo próprio da condição humana: A limitação.
O que não é abordado no artigo "Filho
você não merece nada" são as razões que levam os pais a criarem a
bolha ilusória que envolve os filhos, fazendo com que pareça que estes são os
culpados do incidente, sem considera-los sujeitos ao mesmo processo. Como cita Daniel
Gilbert no livro O que nos faz felizes,
quando imaginamos uma situação, pensamos no futuro, pensamos muito mais no que
estaria presente do que no que estaria faltando. Ora, os pais não alimentariam
uma ilusão com intuito de fazer seus filhos sofrerem, querem o melhor pro
futuro de sua prole. São esses, tão vítimas quanto os filhos, pois não sabem
lidar com a limitação, já que tentam ignora-la e fazem parecer aos filhos que
ela não existe.
O que desvia a aceitação da condição
humana é como já anunciava Konrad Lorenz em seu livro O declínio do homem, uma
degradação no processo da história de hoje uma "evolução demolidora"
que lentamente atrofia as capacidades especificamente humanas. É a alta
volatilidade da sociedade da informação, do desenvolvimento tecnológico
impulsionado por hábitos consumistas, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman,
que vulgarizam a integridade do ser humano que numa fuga desesperada, em
tentativa de suprir carências, cada vez mais se afunda cavando o próprio
buraco.
Não são os pais os únicos culpados
pelas psicoses dos filhos, nem mesmo seria necessário o sofrimento - dos pais e
dos filhos é preciso voltar-se ao ser humano e desenvolver a integridade deste.
Não, a realização do ser humano não está no consumismo, nem na tecnologia. A
felicidade não é um direito e não será encontrada se não for procurada, e se é
característica unicamente humana só pode estar no próprio ser humano.
REFERÊNCIAS:
Artigo: Meu filho, você não merece nada - ELIANE BRUM
BAUMAN, Zygmunt. Vida para
consumo: A transformação das
pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008, 190p
KONRAD, Lorenz. A demolição do homem: Crítica à falsa religião do progresso. São
Paulo: Brasiliense, 1986. p225
GILBERT, Daniel.
O que nos faz felizes: O futuro nem
sempre é o que imaginamos Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2006, p262
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